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Matérias-primas na Europa com nova origem

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Matérias-primas na Europa com nova origem.

Ao querer maior independência de importações a partir da China a União Europeia arrisca-se a iniciar uma nova dependência. Desta vez, pelos Estados Unidos da América.

A premissa não é nova: quem controla a origem das matérias-primas, controla a cadeia de valor e a indústria de inovação e tecnologia. E a União Europeia tenta atualmente estabelecer-se como uma região mundial que possa ser mais resiliente nesse sentido.

Contudo, a necessidade de materiais que respondam aos pedidos de diferentes setores cria total dependência de países terceiros, como a China, ricos em geodiversidade e que atraem investidores com preços competitivos. Além disso, são países que garantem todo o processo que vai desde a extração à transformação, processamento e fabrico dos componentes que nos são tão precisos. 

Já o maior desafio europeu passa pelos apoios às tecnologias (internas) que possibilitem essas etapas intermédias na cadeia de valor – e é exatamente esse o ponto que não se consegue resolver.

Por exemplo, os Estados Unidos garantem financiamento ou participação em projetos, entre outras regalias, assegurando não apenas o acesso às matérias, bem como a todos os passos até à produção final. Aceitam os riscos de investidor e, como tal, podem interferir nas soluções e linhas de orientação. 

Já a União Europeia peca por uma legislação mais conservadora. São várias as burocracias que afetam os prazos e que acabam por atrasar as resoluções de projetos. E por isso é tão importante olhar-se para o documento Critical Raw Materials Act.

Ainda assim não parece chegar – embora as metas e estratégia sejam corretas e compreensíveis, conseguir alcançá-las torna-se quase impossível. Minas que demoram no mínimo 10 anos a terem uma resposta de validação ou de negação, acabam por afastar quem nelas apostou. Ou seja, se queremos maior independência, esta parece nunca chegar. Por outro lado pode-se tentar recuperar o que já existe, tornando os projetos mais responsáveis e sustentáveis. Mas a sua implementação também é demorada.

Com isto, os Estados Unidos ultrapassam a União Europeia e, no final do dia, podem ser eles a ditar algumas das regras do jogo geoestratégico. 

Trocarmos a origem da matéria-prima e dos materiais críticos não resolve qualquer problema, e enquanto os processos de reciclagem também não ganharem o impacto devido, as cadeias de valor irão sempre cair nas “malhas” de quem maior aposta no que tem e conhece. 

É preciso fazer mais e melhor, identificando o potencial e as maiores valias financeiras para cada país que queiram mesmo fazer uma transição para maior autosuficiência. 

Crédito de imagem: INTERNET