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Artigo de opinião alerta para a escassez de profissionais em Ciências da Terra
João Duarte, Maria do Rosário Carvalho, António Mateus e Carlos Cupeto assinam artigo de opinião lançando alerta: há falta de profissionais em Ciências da Terra e isso é um problema.
2026 tem sido um ano pródigo em eventos naturais com impactos extremos. Desde tempestades de inverno, com ventos e chuvas fortes e ininterruptas para ondas de calor, passando por sismos de elevadas magnitudes noutros pontos do globo, todos os dias (quase) somos bombardeados com alertas, debates, entrevistas, descrições mais ou menos técnicas sobre aquilo que nos assola e que terá tendência a piorar.
E embora sejam ainda alguns os geólogos, geofísicos ou engenheiros geógrafos que possam dar a cara e explicar com maior ou menos desvelo alguns destes acontecimentos, na verdade somos cada vez menos num setor, nacional, pequeno, onde todos nos conhecemos. Sejamos alunos, professores, e, mais cedo ou tarde, colegas de profissão.

Numa época de transição, energética, ambiental e social, a presença de especialistas em geociências nunca pareceu tão essencial e ao mesmo tempo tão escassa. A falta, pelo menos no nosso país, de maior incentivo e saídas profissionais, não ajudam à situação, e uma visão cada vez mais diminuta do que realmente fazemos continua a ser perpetuada.
Citando o artigo: “Persistem imagens antigas e estereotipadas, incapazes de traduzir a relevância atual e futura destas profissões. As consequências começam a ser evidentes. Há menos estudantes a escolher formações no estudo e na compreensão da Terra, menos investimento em infraestruturas laboratoriais, menor renovação geracional e uma progressiva redução de competências especializadas acumuladas ao longo de décadas.”
Torna-se evidente que a opinião pública, da sociedade, conta em grau e em género para esta situação e embora se insista na visão poluente, aos dias de hoje, com o desenvolvimento da tecnologia e recurso a inteligências “artificiais”, parece continuar a haver uma vontade própria em denegrir o setor e quem nele trabalha. A falta de conhecimento mínimo geológico, tanto por órgãos de comunicação social, como por decisores políticos, alimenta ainda mais esta situação.
Contudo deve-se chamar a atenção que nem só de extração de minérios ou petróleo funciona um técnico de Geologia: alterações climáticas, transição energética e digital, escassez de água (estudo de aquíferos), minerais críticos, segurança alimentar, ordenamento do território, proteção civil e riscos naturais, perigosidade e suscetibilidade e, sustentabilidade, são alguns dos tópicos também abordados.
Ainda assim chegará o dia em que seremos mesmo cada vez menos – e será esse o dia em que a desinformação técnica irá predominar. Resta saber o que quererão (os responsáveis) fazer nessa altura.
Crédito de imagem: Turismo de Portugal (Rota do Mármore) | Internet